Como Empreender na Educação – O Guia Completo #Parte 2

Como Empreender na Educação – O Guia Completo #Parte 2

Melhor que ter uma ideia de negócio educacional é esmiuçar e validar a ideia.

Esse é um material para você que deseja empreender na Educação, seja com aulas particulares, seja com qualquer outro produto educacional, personalizado ou não.

Assim as ferramentas apresentadas aqui tem a intenção de que você possa utilizá-las, explorá-las, ter insights, aprender com elas.

São ferramentas consolidadas e muito utilizadas no mundo do empreendedorismo em qualquer ramo, e é claro que não podíamos explorá-las no mundo educacional e ainda mais em todo esse movimento da Educação 4.0 e as Ed Techs que estão tomando cada vez mais espaço no Brasil e no mundo!

Se você ainda não decidiu como irá empreender na educação, indico que leia a parte 1 deste guia. Clique Aqui

Nessa parte 2 do Guia você conhecer:

PARTE 2: FERRAMENTAS PARA PLANEJAR E ORGANIZAR UMA IDEIA DE NEGÓCIO EDUCACIONAL

2.1 START UP E CICLO DE FEEDBACK

2.2 PROPOSTA DE VALOR

2.3 CANVAS

2.4 EXPERIMENT BOARD

START UP E CICLO DE FEEDBACK

Eric Ries em seu livro Start up Enxuta fala que um produto ou serviço nada mais é do que uma solução para o problema de um conjunto de pessoas.

Mas como saber que a ideia que você tem realmente resolve problemas?

Ou melhor: qual é o problema que o seu público possui, que você pode ajudá-los a solucionar?

As ferramentas que vou te apresentar é justamente para isso: validar sua ideia no sentido de refletir, registrar, testar, aprender e melhorar sempre a sua solução.

Baseado no conceito do “Ciclo de Feedback” de Eric Ries um negócio inovador nunca está pronto, mas sim sempre em processo de construção e reconstruindo, medindo os resultados e aprendendo para aprimorar.

Fonte: http://euheroi.com.br/a-startup-enxuta/

Isso significa que em um produto, sempre deve haver espaço para melhorias. E a maneira de melhorar é validando o produto com os próprios clientes, enviando pesquisas de opinião, coletando comentários e quaisquer impressões do seu cliente quanto ao seu produto.

PROPOSTA DE VALOR

A primeira ferramenta para validação de uma ideia de negócio é a proposta de valor. Enxergue o valor como o diferencial que o seu produto deve ter. Enxergue também que o valor é a origem do sorriso do cliente ao usar sua solução. Isso sempre levando em conta a teoria de que para um negócio seja considerado inovador é preciso que ele resolva um problema real.

O problema real não é o problema que eu penso ou acredito que o meu público tenha, mas sim o problema que ele validou ter, ou seja suas dores.

Para refletir, descobrir e registrar o valor de sua ideia existe a ferramenta chamada de CANVAS DE PROPOSTA DE VALOR

Comece fazendo a proposta pelo SEGMENTO DE CLIENTE. Sugiro que você reserve um tempo para explorar essa e demais ferramentas, imprima e use post its.

Baixe aqui os templates das ferramentas apresentadas neste artigo:

Talvez você precise alterar/substituir as informações ao longo da proposta de valor.

  • Tarefas: Comece refletindo e registrando quais são as tarefas que seus possíveis clientes fazem no seu dia-a-dia. Por exemplo, os meus clientes aqui do Blog e das demais soluções que ofereço são professores que planejam aulas, corrigem tarefas, elaboram avaliações, pesquisam sobre tecnologias e inovações aplicadas ao ensino, enviam e recebem emails de demandas de trabalho etc. Esse item precisa estar 100% ligado ao item “PRODUTOS/ SERVIÇOS” do outro lado do CANVAS.
  • Dores: Depois registre quais são as dores que seus clientes sentem ao realizar tais tarefas. Uma dor pode ser uma dificuldade, algo que seu ANALGÉSICO, seu produto/serviço, possa ajudá-lo. Assim, esse item precisa conversar com o item ANALGÉSICO do outro lado do canvas. Exemplo: “dificuldade em escolher elementos de jogos para gamificar uma aula”.
  • Ganhos: Quais as coisas positivas que o seu cliente pode sentir com a solução que deseja entregar a ele? Qual o motivo de ele sorrir ao usar sua solução? Nesse item encontra-se o resultado do valor de sua proposta. Ex: o professor poder proporcionar uma experiência mais engajadora e significativa aos alunos com o método da gamificação.

Concluindo o seguimento do cliente continue pela PROPOSTA DE VALOR, no lado quadrado do Canvas.

  • Produto/Serviço: Descreva da maneira mais simples e prática possível o que é seu produto/serviço. Exemplo: “Plataforma de dicas para gamificar planos de aula”. Esse item precisa casar com as tarefas de seu cliente, ou seja, o seu produto precisa estar ligado com as coisas que ele faz no dia a dia, porque se não, não há sentido de alguém querer consumir algo que não tem nada a ver com a rotina e muito menos, com algo que não tem significado algum nem que resolva nenhum problema. Interessante né?
  • Analgésico: Descreva qual é o remédio que você dará para o cliente curar suas dores total ou parcialmente. O analgésico pode ser as funções básicas de seu produto ou serviço.
  • Geradores de Ganho: Aqui, descreva o que potencializa seu cliente chegar no caminho desejado. Você precisa basicamente descrever o diferencial do seu produto. É esse diferencial que destaca a sua solução de outras soluções já existentes no mercado. Ex: personalização do plano de ensino com estratégias para gamificar uma aula.

CANVAS

Chegamos no CANVAS. É uma ferramenta muito utilizada por empresas e empreendedores para modelar uma ideia de negócio.

Trata- se de uma ferramenta bem simples para inserir e organizar a ideia de negócio no papel, separando-as em categorias.

No mesmo sentido do Canvas da Proposta de valor, indico que você imprima o Canvas e preencha com post its.

Fonte: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/quadro-de-modelo-de-negocios-para-criar-recriar-e-inovar,a6df0cc7f4217410VgnVCM2000003c74010aRCRD
  1. Começe definindo os itens dos quadrantes “PRA QUEM” do CANVAS
  • Segmento de Mercado: defina qual(is) são o(s) grupo(s) de clientes de seu segmento. Quem são as pessoas que vão adquirir seus produtos e/ou serviços? Vale destacar que, quanto mais o mercado é segmentado e específico, melhor. Por exemplo: Meu segmento de mercado são Educadores inovadores do ensino básico e superior que desejam usar o método da gamificação em suas práticas de ensino, mas não sabem como fazer.
  • Canais: O canal é o meio que você se comunica, apresenta e vende sua solução ao cliente. O canal pode ser um local físico, uma rede social, aplicativo de mensagens, enfim. É por onde você oferta suas soluções.
  • Relações com clientes: Como você se relaciona para conhecer seu público, saber suas preferências, coletar impressões, avaliações. etc.? Uma relação com um cliente pode ser os conteúdos que você produz nas redes sociais, sorteios, formulário no site para cadastro de e-mails, coleta de depoimentos, etc. A relação com clientes é o que aproxima sua solução com as pessoas que possui as dores que o seu produto cura.
  1. Agora descreva o que é o seu produto, no quadro PROPOSTA DE VALOR, que representa “O QUÊ” do Canvas. Aqui é muito interessante e necessário conectar o produto com a resolução do problema que você deseja curar. Hoje os compradores não compram funcionalidades, somente. Mas sim, valor, experiências. Então, procure descrevê-lo como tal. Veja alguns exemplos de proposta de valor de algumas empresas:
  • Coca Cola: “Estamos aqui para refrescar o mundo e fazer a diferença”
  • Trello: “Trello permite que você trabalhe de maneira mais colaborativa e faça mais”.
  • Natura: “Promover o bem estar, consigo, com os outros e com a natureza”
  • Uber:  “A mobilidade que você deseja”

Observe que a Coca Cola não diz que vende bebidas, nem que o Trello vende um App de produtividade; que a natura vende produtos de beleza e saúde; que o Uber não vende corridas da táxi. Elas oferecem sensações, experiências, valores.

2. Continue no grupo de quadrantes “COMO” você entregará sua proposta de valor:

  • Atividades Principais: Descreva as principais atividades necessárias para sua solução funcionar. Em uma solução online por exemplo: Postar artigos semanais no blog, publicar curiosidades sobre o tema nas redes sociais, organizar workshops online, criar ebooks etc.
  • Recursos Principais: Defina quais recursos você precisará para as atividades serem executadas. “Internet, serviço de hospedagem de e-mails, contratação de um domínio e de um site” são exemplos de recursos para as atividades online acontecer.
  • Parcerias Principais: Registre as parcerias (Fornecedores, Parceiros, Investidores) que serão necessárias para execução do modelo de negócio. Descreva quem são os parceiros, quais as atividades que os parceiros executam e quais serão os recursos produtos/serviços/ você contratará/trocará com eles.

3. E por fim, o último grupo de quadrantes “QUANTO”:

  • Estrutura de Custos: defina e registre quais serão os custos necessários à operação de sua solução. Quais são os custos por atividade, por dia, por ano? Descrimine por tipos e atividades, por exemplo:

-Atividade Wokshop Online:

Custos: (fictício)

  • Serviço de email Marketing: R$ 60 mês / R$ 600 ano
  • Serviço de gestão de redes sociais: R$ 15 mês / R$ 150 ano
  • Construção site: R$ 100

Custo Mensal: R$ 175,00

Custo Anual: R$ 750,00

  • Fontes de Receita: As fontes de receita são as origens da monetização de seu negócio. Resumindo: Quais as atividades e soluções que gerarão recursos financeiros, quem e quanto se vai pagar pelas suas soluções?

Aproveite o modelo para imprimir e explorar o máximo que puder. Não risque o papel, e use post it para substituir a informação, se precisar.

EXPERIMENT BOARD

Uma ideia de negócio só pode ser considerada de sucesso se for validada no mercado. Não existe resultado, nem avaliação da ideia de negócio se não houver um estudo da ideia e da solução no mercado. É necessário saber se a solução proposta atende as necessidades do cliente, ou melhor, se de fato, o problema que se busca resolver, realmente é um problema real.

Validar é testar. É ir no mercado e descobrir se realmente a sua solução terá pessoas dispostas a comprar o seu produto. Além disso, é um meio para economizar recursos, haja vista que, apenas depois da validação é que se deve iniciar o investimento dos custos necessários à criação da solução.

Imagina que você precisa criar um site para apresentar o seu conteúdo para realizar o questionário com possíveis clientes. É claro que você precisa criar um site. Então, que tal iniciar com um site feito em um plataforma gratuita? Depois que você verificar a aceitabilidade dos clientes com a real possibilidade de crescimento, aí sim, você pode investir na contratação de um domínio, um serviço de hospedagem de e-mail, etc.

O principal fundamento da validação é a prudência, ou seja, se antever aos riscos. Assim, é necessário fazer testes e ter ferramentas suficientes que mostrem que realmente o negócio pode dar certo.

Imagina que você cria um site, insere os conteúdos, começa a divulgação da solução, mas em um teste com os clientes observa que para solucionar a problemática é necessário criar uma cartilha em papel? Caso isso aconteça, o custo que você teve com a contratação do domínio, a hospedagem, etc, vai praticamente por água a baixo. E ainda, incidirá outros custos para criar a real solução, a cartilha em papel.

O EXPERIMENT BOARD é uma ferramenta para planejar e desenhar a validação de sua ideia no mercado.

A ferramenta traz um estrutura para organizar as informações necessárias à validação:

  • Para quem é o teste: defina o público que você vai entrevistar, enviar o teste etc. Volte no Canvas da proposta de valor no quadro “Segmento de Clientes” e especifique ainda mais, se for necessário. Nesse template do Experiment Board pode ser incluído mais de um tipo de público. No exemplo acima, preparou-se o teste para professores, direção de escola e alunos.
  • Que risco a validação está testando: Estabeleça o pior das hipóteses, ou seja, o motivo pelo qual você se preocupa caso sua solução não traga o resultado que você deseja. No exemplo acima, o maior risco é que durante o teste, os professores entrevistados não se interesse pela solução educacional. Ora, se você apresenta uma solução para professores e eles não tem interesse em adquirir, é necessário praticar o ciclo do feedback e propor melhorias, tanto na proposta de valor ou até mesmo do produto em si.
  • Menor experimento para testar a hipótese: Defina como você pretende fazer a validação (por entrevista, questionário, pesquisa de campo etc.)
  • Critério de sucesso: Estabeleça os critérios para definir as métricas da avaliação. Se for um teste por exemplo, um critério de sucesso pode ser 50% do público responder uma determinada pergunta com palavras chaves específicas. Os critérios são bem pessoais e depende muito do propósito do teste e de como você enxerga sua proposta de valor. Assim, aqui também é o momento de revisar a proposta de valor e mudar quantas vezes forem necessárias, até sua solução realmente solucionar um problema e ter bons resultados com os clientes.
  • Resultado X Critério de Sucesso: Compare o resultado com os critérios de sucesso e volte no Ciclo de Feedback. Avalie se resultado apresenta algum aprendizado, e assim, construa, meça, aprenda e refaça quantas vezes precisar.

Essa foi a segunda parte do Guia Completo do Empreendedorismo na Educação, com ferramentas necessárias ao planejamento e organização da ideia de negócio baseado em modelo de start up.

Aproveite para voltar na PARTE 1 do guia e revisar todo o conteúdo.

Sobre o autor | Website

Sou Gabriela, uma professora apaixonada por tudo que pode ser útil e inovador para o ensino e aprendizagem.Com especialidade em Didática e em Tecnologias da Informação e comunicação, criei o blog para compartilhar minhas experiências e hoje ajudo outros professores a tornar suas aulas em experiências muito mais engajadoras ;)